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spacer sumario staff libros archivo enlaces malabia blog correo servicios Año 3 | abril 2007
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:: Malabia :: arte, cultura y sociedad | Barcelona, Montevideo, La Plata

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Malabia em português
José Nêumanne Pinto

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José Nêumanne Pinto    www.neumanne.com

 

OS DEZ MANDAMENTOS DA BARBÁRIE

Todo este povo, no meio do qual estás, verá a obra de Iahweh, porque coisa terrível é o que vou fazer contigo.
(Êxodo, 34, 10)

                                           La rabia se volvió filósofa,
                                           su baba ha cubierto al planeta
                                           (Octavio Paz, Nocturno de San Ildefonso)

And I'll stand o'er your grave
'til I'm sure that you're dead
(Bob Dylan, Masters of War)


Furarei teus olhos para que não vejas o Inferno
e te explodirei os tímpanos para não ouvires indecências.
Arrancarei teu coração porque o amor é porco
e pisarei em teu calo porque a dor redime.
Vou te marcar a ferro para que sempre te reconheça
e queimarei teu corpo para que ele não ocupe meu espaço.
Prometo não descansar enquanto o vento não soprar tuas cinzas.
Minha sarça vai arder e jogarei incenso na fogueira,
minha reza é brava, meu corpo está fechado
e a baba de minha alma vai envenenar o universo.

Manhã de sábado, 21 de setembro de 2002.

 

POEIRA DE ESTRELAS

Do norte do norte
as águias decolam
para vôos sem volta.
Lá, tudo começa:
a voz do mudo,
a vez do mundo.
No norte do norte
as águas brotam do solo
e o fogo se consome,
queimando a cera do tempo.
No norte do norte,
mora Deus,
o dono da sorte,
pelo menos à noite.
Lá se consuma o pecado
de cada um,
surgido do zero.
No norte do norte,
da terra é soprado
o barro humano,
bafo de vida.

Ao sul do sul
as águias sempre voltam
de vôos sem ida.
Lá se chega sempre ao nada,
ao nenhum talvez,
decerto a ninguém.
No sul do sul,
as águas se lavam
em si mesmas.
E o fogo se extingue
em cinza morna.
No sul do sul,
Deus vive de dia,
na casa de sempre,
erguida sobre ocos do vazio.

Lá, se colhe
a semente da morte
na seara das virtudes
de todos,
abrigados no sem fim
do infinito.
No sul do sul,
o último sopro,
matéria divina,
solfeja adeuses
em lábios selados.

Entre o sul do sul
e o norte do norte
a leste e oeste, o medo
traça o destino parco
de quem se sente imenso.
Entre o começo do fim
e o fim do começo,
o compasso do verso.
Lá Deus repousa
a sesta do guerreiro da paz
à sombra da luz das estrelas.
O sono divino
vela a angústia do homem de não se saber
apenas um sonho,
nem sempre um pesadelo,
mas inevitavelmente
uma miragem de fumaça,
uma nuvem opaca
de pó seco
e denso mistério.

José Nêumanne Pinto
São Paulo, madrugada de 29/4-97

 

Panorama da palavra  62

augusto dos anjos: um poeta moderno
augusto sérgio bastos e ferreira gullar

3º Festival Latinoamericano de Poesía Ser al fin una palabra…

a poesia de
Micheliny Verunschk - Luiz Otávio Oliani - Gilberto Nable - Lenilde Freitas
Zila Mamede - Joaquim Cardozo - Mário Benedetti - Lázaro Barreto - Joana Maria Guimarães
Augusto Sérgio Bastos - Adriano Espínola - Alencar e Silva

um conto de Graciliano Ramos

A crônica de D. Leonor - Daniel Santos

O poeta da vez - Tanussi Cardoso

Oito poetas chilenos
tradução de Cristiane Grando

Reflexões sobre o incentivo à cultura
Helena Ortiz

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